Escolher a prancha de bodyboard pode tornar-se depressa uma dor de cabeça quando se começa na prática: os termos técnicos, abreviaturas e anglicismos são tantos que é difícil orientar-se.
Neste segundo episódio da nossa série de tutoriais, o nosso rider Pierre-Louis Costes (bicampeão do mundo de bodyboard) explica-lhe no vídeo acima as informações principais para escolher a prancha de bodyboard.
1) Escolher o tamanho da prancha
A primeira coisa a determinar é o tamanho de que precisa. Os tamanhos dos bodyboards exprimem-se em polegadas (inches) e vão das 32 às 46 polegadas.
O tamanho da sua prancha dependerá ao mesmo tempo do seu gabarito (relação altura/peso) e do seu nível.
Para determinar o tamanho adequado para si, pode guiar-se pela tabela abaixo.

2) Escolher o núcleo da prancha
O núcleo, ou «core», da sua prancha é um elemento fundamental na escolha.
Existem atualmente três núcleos principais: o polipropileno (PP), o polietileno (PE) e o NRG.
O polietileno, ou PE
O PE é um núcleo de gama média, muito flexível, manobrável, bastante acessível e que serve sobretudo a bodyboarders iniciantes a intermédios. Os bodyboarders mais avançados, por seu lado, apreciarão o flex que este núcleo dá nas ondas grandes de água fria.
O PE, embora mais duradouro do que as pranchas em EPS (poliestireno expandido), tem uma longevidade menor face ao PP ou ao NRG.
O polipropileno (PP)
O Rolls-Royce dos núcleos! O PP é o core usado por todos os profissionais da modalidade. Este core hidrófobo (não absorve água) é muito rígido e dá mais velocidade à sua prancha. A sua falta de flex torna, no entanto, a prancha difícil de controlar para um iniciante. O PP é além disso o core indispensável em água quente para os riders experientes.
O NRG+
O core NRG+ é um núcleo híbrido, inteiramente hidrófobo, composto por duas camadas de polipropileno: uma camada de alta densidade (1,9 PCF, dita PP) e uma segunda de média densidade (1,4 PCF, dita NRG).
Esta combinação dar-lhe-á um meio-termo entre o PP e o PE. Terá, com efeito, uma prancha mais flexível do que um PP clássico mas mais rígida do que um PE. Terá portanto uma prancha de gama alta, rápida e que lhe dará algum controlo se for um bodyboarder intermédio. Este core serve a todas as temperaturas de água, mas para os bodyboarders experientes recomenda-se sobretudo em águas frias.
3) Escolher o tail da prancha
O tail corresponde à parte mais baixa da sua prancha. No bodyboard existem hoje dois tails principais: o crescent tail e o bat tail.
O crescent tail é o mais comum; é um tail que permite melhor manobrabilidade ao nível da bacia e das coxas e melhor controlo nas ondas cavadas. É também o tail com melhor desempenho para a prática do drop knee.
O bat tail, por seu lado, com a sua forma de morcego, é um tail que facilita as rotações mas dá menos controlo nas ondas cavadas. Permite, no entanto, uma maior facilidade em concretizar manobras aéreas.
4) Os stringers e a mesh
Os stringers e a grelha de mesh são elementos que permitem enrijecer e solidificar a sua prancha.
Os stringers inserem-se no núcleo e podem ir de simples a triplos. Os stringers das pranchas de gama alta são feitos em carbono, contra a fibra de vidro nos modelos de gama de entrada.
A mesh, por seu lado, é uma camada que se coloca entre o núcleo e o slick, enrijecendo e aumentando a duração de vida das pranchas. Uma prancha com mesh reconhece-se facilmente pelo aspeto em favo de mel que dá ao slick.
5) As opções
Nos últimos anos, as pranchas de bodyboard tornaram-se muito mais eficazes graças a várias inovações. Entre elas, o Pierre-Louis usa nomeadamente o Radial Flex e o Single to Double Concave.
O Radial Flex permite sobretudo enrijecer a prancha mantendo flex debaixo dos cotovelos, melhorar a projeção e repartir melhor os choques ligados aos impactos. De um modo geral, torna a prancha mais rápida e resistente.
O Single to Double Concave dá uma aceleração suplementar à prancha e, combinado com o Radial Flex, permite um melhor desempenho nas ondas pequenas.
