Em março passado, a equipa Nymph Wetsuits partiu para Marrocos para filmar um novo filme de bodyboard, bem como a campanha da sua futura gama de fatos térmicos 2026/27.

Os riders BC+ Tristan Roberts e Ethan Capdeville já estavam no local para a primeira etapa do IBC World Tour em Anza Beach. Fazer vir Steph Kokorelis de Portugal impôs-se, portanto, como uma evidência. A equipa completou-se com dois riders locais muito motivados: Badr Eddine (Rookie of the Year IBC 2025) e o jovem prodígio Hamza Moumou, ambos entusiasmados por se juntarem a esta colaboração Pride x Nymph.

Um começo difícil

A estadia não começou sob os melhores auspícios. As previsões anunciavam globalmente poucas ondas, com apenas duas ou três janelas promissoras — que, no fim, não cumpriram verdadeiramente as promessas na região de Agadir.

Ainda assim, o grupo aproveitou estas condições para partilhar sessões e encontrar uma boa dinâmica. Fresco da vitória no IBC Morocco Pro, Tristan estava em plena confiança: preciso, potente e eficaz em cada manobra.

O apelo do Quemao

A meio da viagem levantou-se uma boa ondulação — acompanhada de uma oportunidade impossível de recusar: o El Quemao Class, em Lanzarote, estava confirmado para dois dias.

A decisão foi imediata. Este evento, um dos mais prestigiados da Europa para o bodyboard, é conhecido pelo formato misto (surfistas e bodyboarders) e por proporcionar sessões raras numa das melhores ondas do continente, muitas vezes com muito pouca gente na água.

Mesmo que isso significasse falhar as melhores condições em Marrocos, a escolha era evidente.

Tristan, porém, teve de ficar: o seu visto de entrada única impedia-o de sair do país. Steph e Ethan seguiram então para Lanzarote sem ele.

Steph, depois da sua primeira sessão no Quemao: «O Quemao é claramente uma das melhores ondas para o bodyboard. Mesmo não estando perfeito, tivemos sessões incríveis e vimos todo o seu potencial. Tenho mesmo vontade de voltar lá.»

Uma ondulação, dois destinos

Enquanto Steph e Ethan encadeavam tubos no reef vulcânico de Lanzarote, Tristan seguia para norte com Hamza e Badr à procura de ondas.

O primeiro spot não deu grande coisa, mas depressa ouviram falar de um point break atípico a sul de Safi, surfado por Jérôme Sahyoun e por outros riders experientes.

A onda não correspondia bem aos padrões do bodyboard — longa, pouco cavada, difícil de aproveitar —, mas Tristan soube adaptar-se, colocando nomeadamente um air reverse impressionante.

A equipa retomou depois a estrada para sul para tentar um slab que tinham em mente como momento-chave do filme. Depois de horas de viagem e de alguns controlos policiais duvidosos, chegaram finalmente a um spot em fogo.

Tristan conta:
«É um pouco como uma versão mais acessível do slab da Pride Roadkill na Austrália. Mais divertido, mas muito caprichoso. Funciona raramente, mas quando chegámos soube logo que íamos pontuar.»

Encadearam então três dias intensos, com condições sólidas e comprometidas.

O longo caminho de regresso

Do lado deles, em Lanzarote, a competição terminou prematuramente: eliminação na Ronda 1 para Steph, Ronda 2 para Ethan.

Desiludidos mas gratos por terem participado num evento tão prestigiado, iniciaram o regresso a Marrocos — uma viagem longa e desgastante: 24 horas de trajeto, uma noite em branco em Madrid e depois uma chegada cansada a Marraquexe.

Depois de recolherem Sébastien Boulard, seguiram para Charatan, um spot reputado. Mas no local foi impossível surfar: as inundações recentes tinham degradado fortemente a qualidade da água.

Uma noite curta em Casablanca e mais cinco horas de estrada até Safi. Entretanto, Tristan já tinha deixado o país rumo à África do Sul, pois o seu visto tinha expirado.

Em Safi, as condições estavam sólidas mas difíceis: ondas rápidas, muitas vezes a fechar, e ninguém na água. Apenas Steph e Ethan, sozinhos diante do oceano.

Steph recorda: «Foi uma verdadeira aventura. Descer uma falésia instável, encontrar um acesso à água… e depois um longo paddle em condições sólidas. Mas no fim encontrámos direitas ótimas com tubos longos, só para nós.»

O último dia

Com poucas imagens aproveitáveis — tendo falhado as melhores condições e com poucos clipes do Quemao —, a pressão era grande no último dia.

Ainda era possível uma boa sequência… mas a ondulação não acompanhou. O oceano voltou a ficar quase plano, pondo fim às esperanças de concluir o projeto como previsto.

Ainda assim, Steph e Ethan voltam com um sorriso. Entre a experiência do Quemao e as aventuras vividas na estrada, a viagem fica inesquecível.

Steph conclui, sobre a sua primeira estadia em Marrocos: «Percebi que aquele sítio era especial logo no meu primeiro tagine, sentado numa praia em Taghazout. Nesse momento tudo fez sentido.»

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